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05/11/2014

Coluna da Gi - Amor, não Lego


Às vezes eu acho que estamos vivendo num quase apocalipse relacional. Uma época de relacionamentos descartáveis e facilmente arruináveis por um “melhores amigos” numa rede social. As pessoas ficam juntas por motivos fúteis, por um status no Facebook ou uma foto meramente ilustrativa no Instagram do que deveria ser verdade.

O amor tornou-se uma coisa banal, as pessoas dizem “eu te amo” pra qualquer um que lhe faça um favor. Não é mais o amor por amor, é amor por um favor. É absurda a forma como as pessoas deixaram de acreditar no amor , que era pra ser uma coisa simples e intensa.

Encara-se um casamento com a frase “se não dar certo, separa”. Como assim, cara? Está se criando laços afetivos fortíssimos  e já se está pensando que não dar certo, pensando na solução de um problema que ainda nem existe. E o que é “não dar certo”? Significa não ter problemas? As pessoas se esquecem de que relacionamento não é aquela coisa linda e coloria onde tudo se encaixa, o nome disso é Lego.

23/06/2014

Coluna da Gi - Por um mundo com mais gente de meia-diária


Tem algumas pessoas que passam pela nossa vida como um raio, de tão rápido e, algumas delas você nem lembra o nome, mas é estranho como tem umas que passam e deixam rastros, mas não ruins porque foram embora na hora certa, assim como chegaram, na hora certa.
Gente que chegou pra acrescentar – mais alegria, mais euforia, mais filosofia de bar, mais risos e sorrisos, mais noites marcantes, mais tesão – e vai embora sem subtrair. Gente que você conheceu em uma viagem pra Búzios, gente que você conheceu em algum trabalho comunitário em um orfanato, em uma praia, em um final de semana com a família da amiga da sua amiga que se mudou depois desse final de semana e você nunca mais viu nem ela e nem a família da amiga dela. 
Sabe quando uma pessoa muito cheirosa passou e só o que fica é o leve perfume dela que é até melhor do que o cheiro em si? Então, essas pessoas são assim. Passam de uma forma boa, rápida e eficaz e, sinceramente? Eu amo essas pessoas de meia-diária; aquela estadia pela metade em um hotel.
Eu gostaria de fazer um apelo, com licença: Por uma vida com gente que passa rápido, como os executivos atravessando Av. Presidente Vargas, mas faz tanto efeito quanto alguém que fica.

30/05/2014

Coluna da Gi - Eu queria viver de crônica


Eu queria viver de palavras. Algum lugar paralelo onde crônicas me alimentam e são a base da minha vida – enchem a minha conta bancária suficiente pra viver em algum apartamento da Tijuca. Crônica por amor, crônica por hobby, crônica por trabalho.

Queria seguir assim, observando, absorvendo e cronitizando*. Ouvi dizer por aí, num café do Centro, na rua do Ouvidor, na boca de algum boêmio da lapa e uma lanchonete com temática dos anos 50, na mesa do jantar, que crônica não leva ninguém à lugar nenhum . Como boa observadora, discordei em pensamento. Crônicas me levam a algum lugar que eu não sei, só sei que é bom. Um tal lugar utópico onde a prosa, a arte, é levada a sério.


Eu queria gastar papeis com palavras que seriam lidas e consideradas. Queria que o sorriso fosse ispiração. Queria que o amor se desbanalizasse e que isso fosse para todos e atos considerados pequenos – abraços, beijos, ver o pôr do sol no Arpoador, filmes a dois e chocolates quentes – fossem mais comuns, mas não perdessem a importância. Eu queria viver de crônica. 

*Do verbo “cronitizar”. Pela licença poética, dada a mim por mim mesma, significa transformar em crônica ideias e pensamentos.


23/05/2014

Coluna da Gi - Um brinde à quem saiu da sua vida (graças a Deus!)


A não ser que você seja um misantropo - por opção ou não - a convivência com pessoas é inevitável. Logo, pessoas entram e saem da sua vida. As que saem tem toda uma aura de coisas ruins e por isso saíram e aí é que está.

Eu tenho uma fissura por lembranças - até aquelas de momentos que nunca aconteceram. Só se é possível lembrar-se de algo que não está mais acontecendo e isso, graças àquelas pessoas que saíram das nossas vidas, deixando lembranças boas ou ruins.

As boas, aquelas que gostamos de lembrar pra sorrir, pra rir, lembrar pro lembrar, lembrar pra aprender. Lembrar da ida ao shopping, da resenha com os amigos, da festa dos trabalhos em grupo depois da escola, do Spoleto antes do trabalho em grupo da escola, do happy hour.

E as ruins, aquelas que também gostamos de lembrar - por mais que o nosso ego não permita, ser humano é masoquista, gosta do drama "teenager american way of life", de se fazer de vítima. Gostamos de lembrar do ex que terminou cruelmente, da ex amiga vaca que pegou o namorado que terminou cruelmente, da professora caxias. Gostamos de lembrar e brindar que esses infelizes saíram de nossas vidas.
E todas essas coisas um dia se tornarão lembranças
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